sexta-feira, 8 de março de 2013

A enfermeira Helena Turl e seus álbuns da história de Teresópolis

  Mulheres de memória invejável

     Oito de março, ocorre hoje o Dia Internacional da Mulher.  As comemorações foram muitas, no mundo inteiro, e Teresópolis participa da festa até o final do mês com vasta programação elaborada pela Secretaria dos Direitos das Mulheres. Duas exposições, na Casa de Cultura Adolpho Bloch e Casa da Memória Arthur Dalmasso, “Olhar Feminino” e “Mulheres na História”, reafirmam a importância da data, e do mês de março que é dedicado às mulheres.
     É tempo de cultuar as personalidades femininas que se destacaram e estão vivas na memória através dos relatos dos seus feitos. Quem não sabe quem foram Ana Nery, Teresa de Avila, Teresa Christina... E as mulheres teresopolitanas? Certamente sabe-se bem quem foram aquelas que estiveram à frente de movimentos sociais, ou que foram empreendedoras e têm a maioria delas, por isso, guardadas as suas memórias nas placas das ruas e de prédios, ou através dos documentos oficiais que relatam os feitos daquelas que ocuparam cargos públicos - já tivemos mulher prefeita, mulheres juízas e promotoras, mulheres vereadoras, e foram várias.
     Hoje, então, é dia para lembrar de todas essas mulheres. E difundir as suas virtudes para que seus feitos sejam repetidos pelas gerações que virão.
     Todas merecem o devido carinho. E, cabe lembrar de uma, em especial, para que se resuma e represente as qualidades das demais. Poderia falar de uma mulher que se destacou na política, na educação, no esporte, na cultura, ou num negócio qualquer. Mas, estaria cometendo uma injustiça grande se não lembrasse aqui, para registrar a garra das mulheres - e definindo a importância de todas elas! -, de uma mulher que não foi professora, nem atleta, escritora e empreendedora, ou muito menos ocupou cargo público algum.
     Hoje, 8 de março, é também dia de aniversário da enfermeira Helena Turl. No dia da Mulher, essa amiga de tanta gente na cidade comemorou seus 77 anos. Passou o dia no Rio de Janeiro, cuidando de uma filha que está adoentada - a enfermeira Helena, apesar de seu corpo já debilitado, não perdeu o costume de cuidar dos outros, nem de se preocupar com o próximo. No mês passado estava envolvida com a entrega de uma cama hospitalar para uma pessoa que nem conhecia direito e, lembro da última vez que a ví, em dezembro, tinha me procurado no DIÁRIO para fazer uma reportagem em seu bairro que sofre de males que são crônicos em toda a cidade: buracos, falta d’água, luz fraca e ônibus com frequentes atrasos...
     Dona Helena é assim. Vive pelos outros, sejam seus filhos, netos, amigos ou vizinhos. Essa senhora de grande compaixão nasceu em 1936, na Barra do Imbuí, filha de Aurino Claussen Turl e Maria Corina Paim Turl. Teve a mesma infância de toda criança sem problemas e, quando atingiu a idade escolar, foi alfabetizada pela mãe, logo depois cursando o primário no Grupo Escolar Higino da Silveira e, mais tarde, o curso ginasial no Colégio Teresa Cristina.
     Toda criança, ou melhor, todo ser humano tem uma meta a atingir na vida e Helena teve como sonho ser enfermeira e trabalhar em hospitais. O exemplo para esta profissão ela teve em casa: sua mãe era enfermeira do Posto de Saúde e era também a única pessoa do bairro que aplicava injeções, sendo esse o motivo pelo qual achava importante ser enfermeira: “eu queria ser igual a minha mãe! Aos 12 anos me senti quase realizada, pois tive a oportunidade de aplicar minha primeira injeção. Aos 16 casei-me e tive três filhos: José Carlos, Lúcia Helena e Vera Lúcia, que me deram seis netos: Flávia, Luciano, Tatiana, Ana Paula, Artur e Rafaela. Com 19 anos ingressei no Hospital Municipal para exercer a profissão de enfermeira. Estava realizada...”, disse em entrevista a O DIÁRIO, em 2008. “Ser enfermeira não é andar de capa esvoaçante; não é ter o dia inteiro o uniforme imaculadamente branco; não é ter os cabelos sempre arrumados ou estar sempre bem vestida... Na vida real, a enfermeira tem, no final do dia de trabalho, o uniforme um pouco amassado; os cabelos rebeldes saindo para fora da rede; as pernas doloridas de tanto andar de um lado para o outro... Tive grandes emoções, mas a maior de todas foi quando realizei meu primeiro parto. Pela primeira vez ajudei com minhas mãos uma criança nascer, um ser humano com um futuro à sua frente. Quando me lembro disso, vem à minha mente a frase de que em cada criança que nasce renasce a esperança que Deus ainda tem fé na humanidade”, relatou.
     Helena Turl trabalhou em diversos hospitais. Ela é do tempo do Hospital Municipal, da Casa de Saúde Nossa Senhora de Fátima, da Maternidade Doutor George Beutner... 
     Na entrevista que deu a O DIÁRIO, Helena lembrou que a “melhor seção” onde trabalhou foi o Centro Cirúrgico, onde se sentiu mais realizada. Aposentada em 1994, a enfermeira afastou-se da lida nos hospitais, mas continuou, e continua, buscando aplicar o seu conhecimento. Fez o parto da filha e da nora e teve nos braços, antes de qualquer outra pessoa, os netos Flávia e Luciano.
     Mas, cuidar da saúde da família, dos vizinhos e até de gente que não conhece é pouca tarefa para Helena. A enfermeira ainda arranja tempo para outra atividade que faz como lazer. Helena Turl cuida também da memória de Teresópolis. Coleciona livros, fotografias, ilustrações, folhetos, cartões de família e centenas de recortes de jornais contendo notícias sobre sua família, em especial sobre os feitos de seu bisavô, Coronel Henrique Fernando Claussen, num exemplo de profundo respeito por aqueles que, inegavelmente, prestaram relevantes serviços e contribuíram efetivamente para o desenvolvimento de Teresópolis.
Irmã de Evani, Marilda e José Luiz, Helena Turl guarda também, como não poderia de ser, a memória do seu tempo de hospital. São valiosas informações sobre seu trabalho como enfermeira, além de diversas fotografias de seus colegas, orientadores e profissionais que nos últimos 50 anos trabalharam e contribuíram para o desenvolvimento da Medicina no município e para o crescimento da instituição.

quinta-feira, 7 de março de 2013


Marcelo Velloso, do Ministério da Cultura; Simone Amorim, da Secretaria Estadual de Cultura; Nara Zeitune,
do Forum Regional de Cultura, Delmar Silva e Déscio Freire, secretário de Cultura de Bom Jardim

  Fórum de Cultura da Região Serrana

     Gestores de cultura de 13 municípios do Estado do Rio de Janeiro encontraram-se em Bom Jardim na última semana para discutir políticas de cultura na região serrana. Com a presença de representantes do Ministério da Cultura e da Secretaria Estadual de Cultura, a reunião serviu para a apresentação dos novos ocupantes das secretarias, mostrar os resultados dos encontros anteriores e criar o Fórum de Cultura da Região Serrana, que será lançado no Encontro do Plano Estadual de Cultura, a ser realizado também em Bom Jardim, no próximo dia 3 de abril.
     Além de eleger a nova direção do Fórum, que tem Teresópolis na presidência e a participação de Nova Friburgo, Macuco e Bom Jardim, a reunião escolheu os municípios de Carmo e Cachoeiras de Macacu para os GTs de Comunicação e de Programação, e informou o andamento do Circulares, projeto incentivado pelo Sebrae e que vai distribuir aos municípios cerca de R$ 5 milhões em eventos e equipamentos culturais.
     Na oportunidade, Marcelo Velloso, do MinC, informou aos municípios sobre as possibilidades reais do Circulares e anunciou a abertura de cinco editais no Ministério da Cultura, voltado para os artistas negros, enquanto os representante do Estado, Simone Amorim e Delmar Silva, falaram sobre o Circuito das Artes, corredor cultural que atende a região, e Plano Estadual de Cultura.
     Ausentes apenas os municípios de São José do Vale do Rio Preto e Petrópolis, participaram da reunião em Bom Jardim: Daniel Silva e Elaine Sampaio Leite, de Santa Maria Madalena; Antonio Carlos Fonseca e Catarina Pontes, de Macuco; Roberto Wermelinger, de Nova Friburgo; Domingos, de Duas Barras; Sônia de Souza Fonseca, Rita de Cássia Talharico e Jeane de Araújo Queiroz, de São Sebastião do Alto; José Amaro Mansur Soares, de Cordeiro; Gildomar Bard e Eli Moura Amaral Junior, de Cantagalo; Jorge Tatagiba e André Felipe Rosa, de Carmo; Wellington Lyra, de Cachoeiras de Macacu; Weber José Gomes, de Trajano de Moraes; Iedemara da Rosa Corguinha e Marcio Roberto Conti, de Sumidouro; Wanderley Peres e Nara Zeitune, de Teresópolis e Maria Eugênia Figueira, Nobel Medeiros e Déscio Freire, de Bom Jardim.
     O próximo encontro do Fórum de Gestores de Cultura da Região Serrana está marcado para o dia 18 de março, a partir das 9h30min, no município de Cachoeiras de Macacu.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013


  “Os cães ladram e a caravana passa”

     Tão antigo quanto a maledicência no coração dos invejosos, um sábio ditado árabe diz que não importa o latido dos cães porque a caravana seguirá independente do barulho que eles façam. Mesmo que os latidos irritem os ouvidos e que o estardalhaço desvie por algum momento a atenção, ela seguirá seu destino porque o que move seu rumo são os sonhos de iguais. A caravana do ditado árabe alude aos invejados grupos de pessoas fortalecidas nos sentimentos do amor, da amizade e dos desejos comuns.
     Muito tempo atrás, lá vem história!, um amigo me ensinou que devemos temer duas coisas na vida: o elogio dos maus e a crítica dos bons. “Se um vagabundo te critica fica feliz, mas comece a se preocupar quando alguém de bem falar mal de você”. Quem me disse isso foi o João Oscar do Amaral Pinto, isso lá pelos idos de 1980, época em que eu sabia um pouco menos da vida do que sei  hoje.
     Lembrei do João essa semana quando ouvi dizer que o meu nome, e os de pessoas ligadas a mim, estavam sendo vilipendiados por alguns mal intencionados que militam na imprensa local. De uma hora pra outra, como se tivessem sido acordados, e supervalorizando a minha importância política, passei a ser culpado até pela renúncia do Papa. Jornal que representa mais de 90% da venda entre os jornais locais e principal tevê a cabo da cidade, e ligados a mim, O DIÁRIO e a DIÁRIO TV também foram alvo da mesma campanha difamatória encetada por essa gente indecente que se alimenta da inveja e se corrói com o sucesso alheio.
     Vivendo hoje das migalhas caídas nas sarjetas do Palácio Teresa Cristina, e escondendo-se, covardemente, atrás de empregados submissos e que acatam cegamente as vontades do patrão, que eram políticos até pouco tempo aparentemente respeitáveis, os patrocinadores dessa difamação vem tentando fazer prevalecer a máxima de Goebels, o chefe da propaganda nazista que apostava na mentira contada várias vezes na intenção de torná-la uma verdade. Seja através dos números fraudulentos de pesquisas de opinião às vésperas da eleição, ou pela opinião truncada e direcionada a interesses escusos tão distante o próximo pleito, esses mandantes fazem papel medíocre. Desantenados dos reais problemas da cidade, usam o direito da liberdade de expressão para denegrir as pessoas, valendo mais pelo mal que podem fazer aos outros que do bem que porventura seus veículos de imprensa possam produzir.
     Tenho orgulho do que sou. Tenho orgulho do que já fiz e do que faço. Tenho orgulho da história construída dia a dia e das amizades que tenho. Me regozijo ainda com as inimizades que adquiri ao longo das tantas batalhas que travei. E, aí, lembro do João novamente. “Um homem deve orgulhar-se dos amigos e do tipo de gente que o tem como inimigo”, dizia. Sabia mesmo de tudo o João Oscar, que Deus o guarde no bom lugar que ele preparou no Céu enquanto vivia sabiamente entre nós.
     ...

     Acostumado a escrever sobre a memória local, e de contar os problemas que afligem a nossa cidade, me ocupo hoje de assunto alheio ao meu texto, e me penitencio com os leitores por isso. Mas, não poderia deixar de sair em defesa da nossa caravana, e de falar dos cães que nos assediam. Embora irritem esses ataques - e esfomeados que estão, não devem desistir nossos algozes da campana que montaram em torno de nós - temos um destino traçado e precisamos de atenção diária com o nosso rumo. Por isso, e pela certeza de estarmos fazendo o que é certo, continuaremos ouvindo os cães que assacam contra nós sua fome de desgraça. Eles latirão, latirão, e a caravana seguirá incólume. É assim desde os tempos antigos, e continuará dessa forma enquanto o homem preferir invejar o próximo em vez de buscar aprender com a sua história os motivos do seu sucesso.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O antigamente imponente prédio do Hotel Residência

Hotéis de Teresópolis

     Em 1949 , o Ministério da Agricultura lançou uma revista para divulgar o Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Exemplar raro, possivelmente único, guardado pelo colecionador Adérito Varejão, propriedade do acervo Pró-Memória Teresópolis, a revista de 78 páginas, com primeira página colorida - exibindo o montanhista Malvino confessando-se ao Padre Pio Ottoni, quatro anos antes, em junho de 1945 -, teve a “edição cancelada” e, não fosse o interesse de Varejão pela nossa memória, muitas informações alí impressas estariam hoje perdidas. 
     Além de mostrar os encontros, conferências, congressos e festividades ocorridas no Parque, no final daquela década, a publicação revela sobre as visitas dos embaixadores do Uruguai, Estados Unidos, Portugal e Inglaterra, países que se interessaram em conhecer a estrutura da nossa “reserva florestal” e, além de imagens das pouco conhecidas montanhas da Serra dos Órgãos, relata sobre um “esporte diferente, que vinha se desenvolvendo acentuadamente no Brasil”, o alpinismo, registrando a imagem de Miguel Inácio Jorge e o passeio que tinha feito ao Dedo de Deus, com um grupo de crianças, em 17 de julho daquele ano. Nomeou ainda os quinze clubes de excursionistas que relacionavam-se com o Parque, entre eles o CERJ, do Rio de Janeiro; CESO, de Teresópolis e o CEP, de Petrópolis.
     Mas, a informação que mais me interessou foi um registro que a revista fez, na página 31, onde enumerou os hotéis e “estabelecimentos de hospedagem” existentes em Teresópolis em 1949. Dez anos antes da abertura da Estrada Direta, quando a nossa rede hoteleira sofreria grande colapso, Teresópolis tinha cerca de 25 mil habitantes e 26 estabelecimentos de hospedagem. Dez anos depois, no Censo de 1960, já contava com 52.318 habitantes e 7 estabelecimentos de pouso a mais, sendo 23 hotéis e 10 pensões. Os hotéis de 1949, em Teresópolis, segundo a Revista do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, são os seguintes: Higyno, Le Magourou, Várzea, Teresópolis, Residência, Brasil, Flórida, Atlântico, Bragança, Rever, Califórnia, São Moritz, Fazenda da Paz e Rancho Santo Antônio; as pensões, Pomar, Pinheiros, Vera Cruz, Aguiar, Iris, Rio D’Ouro, Serrana, Vielle France, Viúva Bastos, São Geraldo, São Jorge e Pensão do Alto.
     Cinquenta anos depois, com uma população próxima de 170 mil habitantes, segundo a Secretaria Municipal de Turismo temos hoje entre hotéis, pousadas e albergues, 108 estabelecimentos de hospedagem.
     Criado em 1939, pelo decreto 1822, de 30 de novembro, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos foi idealizado pelo engenheiro Armando Vieira e, criado pelo presidente Getúlio Vargas, era administrado, à época, pelo engenheiro agrônomo Gil Sobral Pinto, sendo ministro da Agricultura, então responsável pela unidade, Daniel de Carvalho.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Castelo Montebelo - jóia rara no centro de Teresópolis

O castelo Montebello, na época da construção
     Com traços que remontam as épocas vividas pelos senhores que erguiam ainda a bandeira do feudalismo, o magnífico Castelo Montebello foi palco para as aventuras da Jovem Guarda e para confraternizações da sociedade teresopolitana e, embora sua história não tenha grande referência para a memória municipal, transformou-se numa referência turística de Teresópolis.

     Sua construção teve início em meados dos anos 1930, pelo então embaixador do Brasil no México, Antonio Feitosa. EM 1946, após a morte do proprietário o castelo ficou em total abandono e a propriedade foi colocada à venda. Em 1950, o químico-farmaceutico Cyrillo Monthé e sua esposa compraram o castelo, reformando-o. Em evento no Rio de Janeiro, Monthé conheceu o arquiteto alemão Eugen Lutter Klass, que acabara de ser premiado na Alemanha com um projeto que mostrava como seria um castelo no século 21. O arquiteto Eugen recebeu, então, a proposta de colocar seu projeto vencedor em prática, mesclando recursos de uma casa moderna com a preservação de um lugar histórico.

     Dentre as belezas e raridades do Castelo Montebello, estão os vitrais que reproduzem a Santa Ceia, vindos da Hungria na década de 50. Um dos locais que mais agrada aos visitantes é o salão de festas, onde já foram realizadas importantes apresentações musicais. No calabouço, três salas: uma adega com capacidade para mais de 500 garrafas; uma sala que era usada para guardar objetos pessoais, como uma coleção de discos de vinil; e um salão de armas. Com a morte do Sr. Mothé, um dos seus três herdeiros, administrador do castelo, desfez-se do estoque de armas por considerar muito perigoso.

     Entre 1953 e 1956, o castelo esteve aberto para visitação púbica, sendo depois fechado até os anos 90, quando as portas do castelo se abriram novamente, para uma festa de Halloween organizada pelo Rotary e, depois, em 2005, quando foi alugado por um mês para o SESC realizar o tradicional Festival de Inverno. Nesse período, o Castelo serviu de local para a recepção de convidados e ponto de encontro de artistas, autoridades e personalidades do mundo da arte, para troca de idéias sobre os mais variados assuntos e, antes disso, no período em que esteve fechado, fez habitar na mentes das pessoas, inclusive dos vizinhos, que o lugar seria mal assombrado.

     Com exceção de suas belezas externas, onde predominam as suas paredes adornadas com pó de pedras idênticas à época medieval, o seu interior já passou por muitas modificações, sem alterar o seu estilo. O piso, que era de madeira corrida, fora substituído pelo piso sintético, principalmente suas escadas. Os lustres deram espaços a filetes de luz fluorescente. Todo seu perfil está conservado até o segundo andar as escadas tomam forma em “”V” e nos conduzem às salas e cômodos. São exatamente três andares de beleza e imaginação. As principais portas que dividem os cômodos são trabalhados em bronze e revelam a beleza de seus vitrais os quais compõem a beleza interior. No adro do castelo registra-se uma plaqueta de inauguração do monumento, a sua história e com ela os seus personagens. A beleza natural cerca o Castelo. São árvores gigantescas e flores que tomam corpo diante de uma visão minúscula no centro de Teresópolis.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013



  Serrana, a revista de Teresópolis

     Em fevereiro de 1956, surgia a mais bem sucedida publicação impressa em formato revista de Teresópolis. Criação do jornalista Renato Ferro, que já atuava como colunista dos semanários locais, a REVISTA SERRANA durou até 1982, extinguindo sua primeira fase seis anos depois do surgimento, com a edição de número 54, em 1962.
O Número 1 da Revista Serrana, em 1956
     Na edição Número 1, o corpo editorial da Revista Serrana era composto dos homens de imprensa Ulysses Souto, Alfredo Tymbira de Carvalho, Arthur Dal-masso, Antonio Sumavielle, Aurélio Lopes, Sylvio Guimarães, Rubens Tava-res e Luiz Sá, contando ainda com a colaboração do engenheiro agrônomo Osiris Rahal, do Fiscal de Rendas Rubem Alsina, de Sebastião de Barros, Jair Damasceno, Gentil Carvalho e Jorge Carvalho. As fotografias publicadas na revista eram feitas pelos fotógrafos Benvenuto Torri Machi e João Monteiro, e pelo Foto Vitória, também de propriedade de Renato Ferro.
     Renato Ferro tinha vários segredos para o seu sucesso. Nos moldes da revista O Cruzeiro, a Serrana tinha uma capa atraente, sempre com uma garota bonita ou um político influente. Os textos eram curtos e objetivos e os colunistas bem escolhidos, trazendo temas sempre relevantes. “Serrana não é filha de um idealista, mas sim, filha de um idealismo coletivo, que reuniu intelectuais, comerciantes, industriais, lavradores enfim, todos os filhos de Teresópolis, que trabalham e anseiam pelo seu progresso, num congraçamento espontâneo de colaboração. Ela vem satisfazer os anseios espirituais de alguns, e materialisar a idéia de muitos dos que admiram e amam esta cidade e que sempre desejaram objetivar um meio de propagar-lhe as belezas naturais, o clima e as inúmeras riquezas de que é possuidora, afim de torná-la conhecida, admirada e exaltada por todos”, dizia.
     Numa época em que a imprensa regular no município tinha como semanários os jornais Teresópolis e Gazeta, a Serrana, como era mais conhecida a publicação, tornou-se um título tão importante que vários interessados tentaram fazê-la ressurgir em outras fases: Em janeiro de 1976, Léo Torrents e Carlos Amorim editaram dez números. Entre dezembro de 1977 e dezembro de 1979, sob a responsabilidade de José Maurício Elarrat, sairam as edições 64 a 82. Nas primeiras edições desta terceira fase, que é sequência ininterrupta da segunda, a revista contou com importantes nomes da imprensa local, entre eles, Almeida Pinto, Alzedir Queiroz, Amaury Santos, Cesar Vieira Bastos, Deraldo Portela, Hélio Delgado, João Oscar do Amaral Pinto, Luiz Cataldi, Mendel Dyckerman, Oliveira e Silva, Rubens Tavares, Saul Mari-ano e Waldemar Lopes. Nos últimos números da Serrana de Elarrat, também colaboraram Dario Vieira, Orlando Magalhães, Marbil Rodrigues, Ama-deu Laginestra, Arnaldo Barbosa, Gastão Neves, Gilberto Arêas, Gustavo Smidth, Indio Brasileiro da Rocha, Léa Lippi Rodrigues, M. de Araújo Peres, Roberto Lippi Rodrigues, Ruyz Alcântara de Carvalho, Sebastião Aragão Filho, Vanildo de Sena, Victor Jahara e Vidocq Casas.
     Depois de seis meses fora de circulação, a Serrana ressurgiu em sua quarta e última fase, quando revezaram na editoria  Dario Vieira, Theomar Jones e Orlando Magalhães. A revista manteve a maioria dos colaboradores da versão anterior e passou a contar também com Edson Amaral, A. Sumavielle, Pedro Marcelino, Sandra de Oliveira, Paulo Bento Machado e Marcos Pereira. Evoluindo inversamente, em vez da composição eletrônica, os textos da Serrana dos números 83 a 88 eram confeccionados em linotipo e, como na época de Renato Ferro, duas décadas e meia atrás, também com tipos móveis. Foi um período sofrível da revista que tinha a proposta de manter-se mensal, mas editou apenas seis números em dois anos e meio.
     Dedicada ao jornalista Nilo Tavares, ao radialista Paulo Roberto, ao pintor Fernando Martins e aos empresários Djalma Monteiro, Pedro Serrado e Waldemar de Oliveira, a edição número 1 da Revista Serrana, de fevereiro de 1956, tinha Mirian Sitonio como Garota da Capa e textos primorosos do médico Antônio Sumavielle além de, entre outros, Alice Nunes, Rubem Alsina e Timbira de Carvalho.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013


  As escolas de samba e o carnaval


     O carnaval de Teresópolis não contou com a participação das escolas de samba este ano. Em 2013, a festa de Momo teve apenas blocos e shows. O evento pode ser considerado bom ou ruim, ou até ótimo ou péssimo, dependendo do olhar crítico e do interesse de quem faz a avaliação. Gostei dos shows, principalmente os dos grupos locais. As bandas da cidade são ótimas, o Dona Terezinha é o máximo e as marchinhas, de uns tempos pra cá mais presentes, a cada carnaval são mais apreciadas. Faltam mais matinês, melhor distribuição dos shows pelos bairros e mais apresentações de grupos locais, valorizando-se um maior número de artistas. É o carnaval dos sonhos, e tão almejado pelos que o realizam todo ano.

Comemorando os seus 50 anos, mesmo sem recursos públicos, o
Bambas da Serra desfilou esse ano. E fez bonito.
     Ao seu jeito, a prefeitura organizou um bom carnaval e a quarta-feira de ontem foi de merecidas cinzas para quem esteve, desde a última quinta-feira, nos bastidores da grande festa.

     A ausência dos desfiles carnavalescos, no entanto, merece uma reflexão do teresopolitano. Depois de estar com o carnaval semi-pronto e não pisar na avenida em 2011 por conta da Tragédia ocorrida um mês antes, as escolas de samba de Teresópolis não desfilaram também nos dois anos seguintes. Os motivos seriam as denunciadas irregularidades na utilização de recursos públicos, contas que foram verificadas como irregulares também pelo Ministério Público, já de olho no carnaval teresopolitano desde o governo passado.

     Enquanto a conta antiga não fechar, as escolas vão ficando sem dinheiro público nas suas contas. Por sua vez, a Liga que fazia de conta que prestava contas nem se tem conta se existe mais, nem contam mais com ela as agremiações carnavalescas, hoje à procura de um novo rumo. O lamentável ponto a que chegamos é resultado da proliferação de escolas, algumas surgidas, pelo que se viu, mais para buscar recursos públicos que para representar as comunidades na festa do carnaval.

     O quadro, no entanto, precisa ser revertido. E o improvisado desfile da Escola de Samba Bambas da Serra na última sexta-feira prova que Teresópolis pode voltar a ter um carnaval, mesmo sem subvenção em dinheiro por parte da prefeitura. Comemorando os seus cinquenta anos, o Bambas da Serra fez uma apresentação honesta, entrando no Parque Regadas com dignidade, merecendo o respeito e os aplausos dos que estavam por lá a espera de apreciar um bom carnaval.

     Carnaval é cultura. E, enquanto manifestação cultural, merece a devida atenção por parte do poder público. A prefeitura deve promover a sobrevivência das escolas de samba, permitindo ao público e às agremiações carnavalescas um desfile à altura da cidade. Precisamos de enredos que contem a nossa história, de um carnaval que divulgue nossos valores culturais e que sirva de lazer e orgulho para o teresopolitano.

     Quanto à malandragem verificada na utilização das subvenções, e que provocou a proibição do repasse de recursos públicos para as escolas, que ela seja punida exemplarmente. Que os presidentes, de liga ou de escola de samba, que eles paguem pelas irregularidades cometidas, servindo de exemplo para que os malandros que ainda se servem das escolas de samba procurem outro tipo de negócio para viver.