quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Novidade está sendo implantada sem critério de respeito
ao usuário e vem provocando confusão

Leitor digital é um problema
     O radialista Ayrton Rebello vem reclamando através das redes sociais dos leitores de digitais que estão sendo instalados nos ônibus da Dedo de Deus/Primeiro de Março. “Já não bastasse você que passar por uma roleta, que é coisa de quinto mundo, agora o idoso tem que confirmar a identidade que apresenta ao trocador passando o dedo num aparelho...”, diz, e completa: “Qualquer dia essa empresa monopolista e que faz o que quer e bem entende em Teresópolis , é bem capaz de pedir atestado médico para o idoso passar na roleta, alegando o bem estar da saúde dos demais passageiros. Vamos recorrer a quem?”.
     Até onde se sabe, a novidade é uma forma de controle sobre as gratuidades, que estariam comprometendo o orçamento da empresa e, embora incômoda, seria até aceita bem se a tecnologia funcionasse.
     Mas, como o leitor de digitais não lê, os passageiros estão fazendo contato com a redação para denunciar o constrangimento que estão sofrendo quando vêm seus dedos rejeitados. Também reclamam os passageiros que pagam passagem e estão chegando com atraso no local de trabalho porque a viagem, em alguns horários, está atrasando muito mais que o tolerável.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

"Por fora posta em modéstias; por dentro
esplendendo em belezas"
18 de dezembro, dia de N. S. do Ó
     Dia internacional dos Migrantes, dia mundial do Autismo e dia do Museólogo, na igreja católica, 18 de dezembro é o dia sagrado a Nossa Senhora do O, que tem diversas capelas instaladas pelo Brasil, a principal delas em Sabará, cidade do circuito histórico de Ouro Preto. Também chamada de capela de Nossa Senhora do Ó e Capela do Ó, a singela igrejinha nessa cidade mineira é um das edificações católicas construídas durante o século XVIII, sendo considerada "uma das criações mais requintadas da arte barroca".
     Traços chineses, chamados de "chinesices", também são encontrados nesta capela, em painéis vermelhos com desenhos em ouro; ao lado de cada cruzeiro na talha dourada de painéis octogonais de fundo azul, nas figuras de pagodes e pássaros e personagens bíblicos com olhos puxados.
     As pinturas da nave mostram narrações bíblicas, especialmente em relação a aparições marianas. As pinturas do teto mostram símbolos das ladainhas. No altar-mor, aparece uma "das virgens mais delicadas que Portugal produziu no século XVIII".
     A talha em estilo D João V desta capela datada de 1717 e 1719, é mais harmônica em comparação com a de outros templos mineiros da mesma época, destacando a rudeza do revestimento externo em cascalho e o interior rico, em ouro puro. O retábulo, arco-cruzeiro, entablamentos e molduras integram a mesma linguagem profusamente barroca, "se adequando ao gosto orientalizante do ambiente através da policromia em ouro, vermelho e azul".

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


     Enyalius, meu lagarto verde

     A primeira vez que esse camarada apareceu no quintal, o vi de relance. Bati os olhos nele, por acaso, quando esbarrei num galho enquanto passeava pela mata. O meu medo e a beleza dele me surpreenderam - vê se pode um homem da roça ter medo de uma lagartixa!
     Isso foi no ano passado. Agora, essa semana, fui pegar pelo cabo um dos três cocos verdes que trouxe da praia e senti que tinha pego junto alguma coisa áspera, e que me mordiscou a mão. Era o lagartinho verde de novo.
     Soltei o coco e vi o bichinho correndo, todo espantado e sem encontrar onde se esconder. Perdi a vontade de beber água de coco e criei coragem para caçar o lagarto. Peguei ele pelo rabo e vi que suas patas tinham dedinhos que se agarram como uma esponja, improvisando essa fotografia feita com o celular.  Tirada à noite, a imagem acabou ruim, reconheço. Mas é um bom registro do nosso segundo encontro, terminado quando o soltei na beira da mata lá de casa. É o lugar dele. Talvez na próxima semana, ou no próximo ano, a gente se reencontra.
     Os lagartos são muitos. De muitos tamanhos, hábitos ou cores. Não conheço a espécie e, pesquisando na internet, descobri apenas que se chama enyalius ihenringil, ou, simplesmente, "lagarto verde". Não são venenosos. E os seus dentinhos cerrados, que mais parecem uma lixa 100, não perfuram a pele da gente.  São endêmicos da mata atlântica e têm tudo a ver com o verde que defendemos, e do qual falamos tanto.
É uma graça. Já estou com saudades.