segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A Colina dos Mirantes, em foto de 1970

  A Colina dos Mirantes

     Nunca ouvi de ninguém sobre como era a torre da Colina dos Mirantes, no tempo de sua construção. E, no fundo Osiris, do Pró-Memória Therezopolis, encontrei esse retrato inédito que preserva a pouco conhecida história do lugar. Assim era a Colina dos Mirantes em 6 de julho de 1970, no dia de sua inauguração, 43 anos atrás.

     A torrre, no centro de um amplo terreno de quase dois alqueires doado à prefeitura pelo empresário Joaquim Rolla, continua de pé. Mas, todo o projeto sonhado pelo prefeito da época, dr. Waldir Barbosa Moreira e seu secretário de Governo, Deraldo Portela, foi perdido, jogado às traças ao longo dos anos.


     De vários anos pra cá, além do abandono do local, vários espaços foram cedidos indevidamente pela municipalidade, onde encontram-se várias torres, algumas delas, fechando a visão em direção a Serra dos Órgãos, poluindo e descaracterizando o interessante ponto, que além de não ser preservado, ou ter por parte da municipalidade a utilidade turística pretendida, ainda serve como antro de malandragem, de ponto de usuários de drogas e área de alto risco de assaltos.

    A pesquisa sobre a origem do Mirante da Fazendinha é um pedido do leitor Uillian, que fez contato com o blog sugerindo a pauta. Outras sugestões podem ser encaminhadas ao blog através do e-mail wpcultura@gmail.com e serão atendidas dentro do possível.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013


Carramanhão da Granja Guarani, em fotografia dos anos 1970

  O Quiosque das Lendas

     Atrativo turístico, sítio histórico que remonta a origem dos bairros de Teresópolis, local que transpira arte e cultura... Apesar de uma importância que engloba vários interesses públicos, e de tantas promessas pela sua recuperação, o Mirante da Gran-ja Guarani está em ruínas.
     Situada entre os caminhos sinuosos da Granja Guarani, onde se desfruta de um amplo e belo panorama da Serra dos Órgãos, da CBF e do bairro do Alto, a construção neocolonial emoldurada por colunas toscanas de capitel simples e arcos de alvenaria revestidos por azulejos portugueses, ainda guarda resquícios da beleza que provocou visitantes do mundo inteiro e de veranistas, encantados com o seu estilo arquitetônico de influências coloniais mexicanas e mou-riscas. Composto por dois corpos interligados por um ava-randado coberto, encimando uma grande elevação que forma uma espécie de platô, o mirante tem cobertura em telha-canal com coruchéus, que remetem aos caramanchões por sua forma circular, daí ser também conhecido como “carramanchão” da Granja Guarani.
     O revestimento em azulejos portugueses, produzidos em Lisboa, no ano de 1929, é obra do renomado artista Jorge Colaço (1864-1942) e contam quatro lendas indígenas: O Dilúvio”, “O Anhangá e o Caçador”, “A moça que saiu para procurar marido” e “Como apareceu a noite”. O autor dos traços fortes, em azul sobre branco, foi um dos maiores azulejistas de Portugal no princípio do século XX, com  trabalhos expostos desde o Palácio de Windsor na Inglaterra, até o Centre William Reppard na Suíça, passando por países como Cuba, Argentina, Brasil e Portugal.
     Centro das admirações dos que se preocupam com a memória, o Mirante da Granja Guarani provoca também historiadores e alunos de disciplina de introdução aos estudos históricos. Em artigo científico produzido para o Curso História da Universidade Norte do Paraná - Unopar, Marcelo Fabiano Maia Ferreira, estudou as lendas indígenas expostas no Mirante. “Em “O dilúvio”, a mitologia indígena trata de uma lenda muito parecida com o dilúvio bíblico de Noé. Na versão guarani, Tamendonaré (Tamandaré) avisado por espíritos antepassados que haveria um grande dilúvio, se refugia com sua família em cima de uma grande palmeira (pindorama), se alimentando também de seus frutos. Sobrevivendo ao dilúvio, Tamendonaré repovoa o mundo, com os guaranis se considerando seus descendentes diretos. Na lenda “Como a noite apareceu”, conta-se a história de como a filha do Cobra Grande fez três emissários de seu jovem noivo roubarem o côco de tucumã de seu pai e assim liberar a noite sobre o mundo, com pássaros que cantam ao amanhecer e outros ao anoitecer. Em “O anhagá e o caçador”, Colaço retrata o terrível espírito protetor dos animais nas florestas brasileiras. Anhangá, que por vezes se disfarça ele próprio de animal para surpreender caçadores, principalmente aqueles que não respeitam animais ainda recém-nascidos ou fêmeas prenhes. Por último, na lenda “A moça que saiu para procurar o marido”, é relatada a história da índia guarani Nheambiú, que se apaixona pelo guerreiro tupi Cuimbaé, prisioneiro dos guaranis. E como ela, após saber da morte de seu amor, se transforma no pássaro urutau, que entoa durante a noite um canto parecido com um lamento humano”, conta o aluno em seu trabalho, encomendado pelo professor de história, Dirceu Casa Grande Júnior.

     Tombado em 11 de novembro de 1982 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural - INEPAC, catalogando-o como “uma pequena jóia neocolonial”, o Mirante da Guarani é protegido também pela Lei Orgânica Municipal, de 1990. Mas, embora tenha grande importância histórica para o município, além de seu enorme apelo turístico e cultural, o prédio representa hoje apenas um monumento ao descaso das autoridades que, ao longo dos últimos trinta anos, deixaram que ele chegasse ao deplorável estado em que se encontra.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013


O novo templo da matriz de Santa Teresa, assim que ficou pronto, nos anos 1940

  "Claudina não era nenhuma santa"


     É comum ouvirmos, e até já se escreveu em livros, que a antiga capela de Santa Teresa chamava-se "capela de Santa Claudina". Derrubada em 1927 para a conclusão das obras de construção do atual templo, a igrejinha da Várzea teria o orago, até então, à santa católica Claudia Thévenet (1774-1837).

     Da mesma forma que não resistiu à pesquisa histórica a lenda das "constantes visitas da Imperatriz Teresa Cristina à Teresópolis", a nomeação de Santa Claudina à antiga capela da Várzea também não passa de um mito. A igreja sempre teve invocação à Santa Teresa e os documentos, embora raros, bem provam isso.

     Dez anos depois da morte de George March e, retalhadas suas terras, ao mesmo tempo em que, em 1855, tornava-se a capela de Santo Antonio, no bairro do Alto, a matriz da freguesia, era construída na Várzea, a capela de Santa Teresa. Mas, enquanto a já existente capela de Santo Antônio passava a ser responsável pelos ofícios católicos da emergente freguesia de Therezopolis, a da Várzea, apesar de atender um bairro também com possibilidade de emergir-se, subordinava-se à do Alto onde, à época, ficavam as terras mais valorizadas do lugar.

Santa Claudina, beatificada em
1991 e canonizada em 1993
     E é, vamos ser sinceros, na questão das terras que residem os interesses e a história das nossas duas capelas primitivas.

     Extinta a Fazenda March e dividida sua propriedade, as glebas maiores ficavam com sedes no Alto e na Várzea. Área mais desenvolvida, já sede da grande Fazenda dos Órgãos, as melhores terras do Alto, atendidas pela capela de Santo Antônio, foram adquiridas por Antonio Fernandes Coelho, enquanto as terras da Várzea - e também de Araras, Vidigueiras, Meudon e Ermitage - passaram ao Comendador Polycarpo Magalhães Alvares de Azevedo. 

     Empreendedor, Coelho tratou logo de buscar valorizar mais ainda sua propriedade. Juntou-se a Antônio Feliciano da Trindade na empresa Fernandes Coelho & Cia. e tratou de loteá-la. Arruou o bairro e até doou ao Imperador Pedro II uma quadra, onde queria ver construído um castelo dedicado à Imperatriz Teresa Cristina. Num quarteirão da avenida Bragantina ficariam as ruas "da Imperatriz", "Dom Pedro II" e "rua Imperial".

     E a Várzea? Diante de tanta expectativa de desenvolvimento para o bairro do Alto, as terras do Comendador Polycarpo tinham pouco valor. Tratou então o proprietário de "dotá-las" de uma capela, também promovendo seu arruamento e outras benfeitorias. Policarpo fez mais: doou à igreja a capela que construiu e mais 116 mil metros quadrados de terra em torno dela, esperando que a capela aos cuidados da paróquia promovesse o progresso da localidade. Nessa escritura de doação aliás, é que se define bem o nome da igreja. O documento, lavrado em Magé no dia 17 de dezembro de 1859, além de trazer o nome de Santa Teresa como padroeira da capela, cita ainda os objetos pertencentes ao patrimônio existente, entre eles, quadro à óleo e imagens da padroeira. E a padroeira, em 1859, já era Teresa de Ávila.

     Mas, e Santa Claudina?

     Doar cinco alqueires de terra no centro da Várzea já daria ares de santo a qualquer um, até mesmo que uma segunda intenção parecesse haver por trás do gesto. Mas, é por conta da capela que construiu que Policarpo viu-se marido de uma santa: sua esposa, devota ao catolicismo, chamava-se Claudina. E, embora a história não tenha deixado registros de outras generosidades da importante dona, a mulher locupletou-se no gesto altruístico do marido. - "Capela de dona Claudina, logo Capela de Santa Claudina", admite o Monsenhor Antônio Carlos Motta do Carmo, pároco da Matriz de Santa Teresa.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Capa falsa da Forbes e a reprodução manipulada da revista

  Lula entre os mais ricos do mundo

     "Pode um cidadão eleito presidente e pertencente à classe média baixa, se tornar, em dois mandatos presidenciais, em um bilionário apenas com seus rendimentos e benefícios do cargo? A resposta é sim. Conforme amplamente noticiado em algumas ocasiões, uma conceituada revista - a Forbes – trouxe à tona esse tema, reputando a Lula a posse de uma fortuna pessoal estimada em mais de R$ 2 bilhões de dólares."

     Pinçado de um texto que circula na internet, a informação foi difundida nas redes sociais através do blog do economista Geraldo Almendra, que é professor de matemática em Petrópolis. Segundo o blogueiro, Lula estaria entre os dez homens mais ricos do mundo e denunciado por diversas maracutaias. Mesclada com notícias amplamente divulgadas pela imprensa regular onde Lula aparece como suspeito em escândalos, a "notícia" é ilustrada com uma suposta capa da revista Forbes, aparecendo o ex-presidente vestido como um mafioso, de chapeu preto com fita dourada.
     O texto apresenta todas as características de uma matéria falsa. Não informa data, é vago e apresenta dados confusos, não cita fontes, tem tom alarmista e contraditório e... trata de um assunto que interessa a muitos leitores, críticos que amplificam a falsidade e até acrescentam outros dados, alguns também falsos, validando a inverdade.
     Desmascarado pelo site e-farsas - www.e-farsas.com - que elenca as incongruências da postagem, a falsa notícia mostra como pode ser inconsequente a "imprensa virtual", onde falsos jornalistas e pseudo intelectuais aprontam contra instituições e pessoas, servindo também como um alerta para aqueles que disseminam informações sem se preocuparem antes com a sua veracidade, tornando-se cúmplices pelas inverdades que compartilham.
     A rede social é uma mídia muito interessante. Ela democratiza o poder da informação, antes prioridade dos donos dos órgãos de imprensa. Mas, a pressa em compartilhar uma informação pode banalizar essa fantástica ferramenta, desmerecendo-a, e tornando-a extremamente perigosa para a cidadania.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013


Jogadores do Bangu, de 1930, em frente a hotel, no bairro do Alto

  Teresópolis, a Capital do futebol

     Em agosto de 1930, atletas do Bangu estiveram em Teresópolis jogando no campo do União e se concentrando num hotel no bairro do Alto. Time sem grande expressão nos dias de hoje, naqueles anos, o Bangu era importante, chegando a conquistar o campeonato carioca de futebol do Rio de Janeiro em 1933.

     Filho do atleta Vivi, campeão de 1933 pelo Bangu, José Carlos Moura ofertou ao blog três imagens que o pai guardava dessa época e, curioso com o pano de fundo das imagens, quis saber mais sobre o cenário. Consultado o banco de imagens do Pró-Memória Teresópolis, foram esclarecidas as fotografias, principalmente as imagens que mostravam o jogador Vivi num campo de futebol e parte do time em foto posada à frente de um bonito prédio, provavelmente o hotel onde ficaram hospedados.
O prédio do antigo hotel, hoje colégio

     O campo é o do União, muito provavelmente. O "estádio" ficava no bairro do Alto, na esquina da rua Jorge Lóssio com Alfredo Rebello Filho, em frente à esquina onde existia uma loja de azulejos. Esse União vestia azul e passou a usar as três cores do Fluminense a partir do acidente de trem, na serra, quando morreram oito pessoas, entre elas, a maior estrela do Fluminense, o jogador Py. O tricolor carioca concentrou-se em Teresópolis, em março de 1930, na residência do presidente Arnaldo Guinlle, e jogou, também, no campo do União, antes de descer ao Rio de Janeiro na fatídica viagem. 

     Adversário do Teresópolis, que era outro time de futebol do bairro do Alto, o União fundiu-se a ele a partir da tragédia. Um deu o nome e o outro as cores, daí a origem do verde, vermelho e branco na camisa do Teresópolis Futebol Clube, time que sobrevive até hoje.

     O prédio da fotografia é um antigo hotel, onde passou a funcionar a partir de 1934 o colégio São Paulo, como bem define a imagem no box. Próximos a esse prédio, alterado e ainda existente, haviam nessa época, outras três construções interessantes: a casa de Henry Wilmot Sloper , o palacete do Comendador Gonçalo de Castro e o majestoso hotel Rizzi - que teria a fachada alterada nos anos 1990 para sediar um cassino, o que acabou não ocorrendo.


* Com informações do pesquisador Romildo Pires e do radialista Ayrton Rebello.
Dispor adequadamente os livros do acervo ao público,
a principal função de uma biblioteca pública

  Quem quer livros usados?

     Uma amiga divulgou nas redes sociais, dias atrás, que estava com diversos livros para serem doados. E, logo que postou a oferta no Facebook, outros informaram estar com o mesmo problema, com livros que não sabiam a quem poderia interessar.

     Em princípio, e muitos pensam assim, parece ser obrigação das bibliotecas públicas receberem esses livros. Mas, as bibliotecas não são, necessariamente, depósitos de livros e, em tempos de poucos ledores, elas vem encontrando dificuldades até mesmo para oferecer acesso aos tantos livros que já guardam, e dispor esse serviço com qualidade é a sua principal função.

     Encontrar alguém para receber o que quase ninguém mais quer guardar, ou se desfazer através de meios não convencionais de um bem que pode ainda ter valor pra alguém. Um grande dilema.

     Verdade é que o problema dos livros ofertados para doação é que eles são quase todos específicos, literatura técnica, tratando de medicina, administração, contabilidade... Ou estão ultrapassados, não interessando para quase ninguém mais. Tem também em quantidade os livros de novelas - quanta porcaria os autores americanos produziram! - cultura alienígena e mal traduzida, sem contar os exemplares de coleções incompletas, ou livros mal conservados.

     Mas, como existe também o risco, melhor, a expectativa de encontrar livros que prestem através destes anúncios de doação, bom seria que aqueles que queiram doar uma biblioteca ou um monte de livros, informassem os autores dos títulos ofertados, evitando assim a decepção dos que se interessem. Andei pensando sobre isso. Jogar fora? Colocar fogo? Não. Algumas obras mal traduzidas até merecem isso, livros ultrapassados também. Mas que crime hediondo fazer fogueira do pensamento escrito...

     Já pensou uma tenda, itinerante, com livros para doação? Um dia na Calçada da Fama, outro no Perpétuo, Meudon, Barra, aceitando e distribuindo livros, passando de mão em mão o conhecimento, proposta interessante num mundo onde é cada vez menor o número de gente interessada pela leitura...

     É uma idéia que deverá ser colocada em prática pela Cultura em breve, e se for bem assimilada pela população, fará sucesso.

     Pode estar aí a solução para o problema de quem tem livros para "jogar fora". Bom lembrar que sempre existe um pé descalço para um sapato velho e um livro, mesmo surrado pelo tempo, merece melhor destino que o lixão ou a fogueira.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O poeta Manoel Pereira

  O verso crítico de Pereira

     O presidente da Academia Teresopolitana de Letras, Delmo Ferreira, pediu à coluna WanDerLey, uma poesia do imortal Manoel Pereira para inserção no Boletim da ATL, que circula todo mês. Dos quatro livros do poeta morto em outubro passado, tinha percebido em meu acervo apenas o "Também Sou Presidenciável", de 1984, onde o político ofereceu o nome como candidato a presidência da República. Isso, em plena era de repressão. Mas, procurando melhor, achei outra obra sua, "A Revolução dos Poetas", editado em 1991 pela Revista da Cidade Editora, de Jheovah Silva. E, nesse livrinho onde foram publicados versos seus e do amigo Luiz Arruda, encontrei um texto de 1979 que bem define o Pereira. É a "Síndrome de São Bernardo", que vai publicado abaixo e confirma a acidez crítica do político e sociólogo, que também era dentista. Pra quem viveu, e tinha que existir intelectualmente nos "anos de chumbo" o poema traz à memória essa triste época e vale a pena ser lido.
     Irmão de Davi, Ana Maria, Antonio, José, Isabel, Luiz Carlos e Jorge, Manoel Pereira era casado com Sueli e pai de Victoria Maria, de quinze anos. O poeta nasceu em 25 de março de 1948, filho de Manuel da Cruz Pereira e Maria Luiza Cerqueira. Estudou em Niterói, cursando Direito na Faculdade Gama Filho, formando-se em odontologia pela Faculdade de Nova Friburgo, pós graduando em odontologia no College de Recherches, em París, tornando-se membro da International Implant Society. Diplomado em oratória moderana, era membro da Academia Teresopolitana de Letras, tendo fundado o jornal Folha do Ponto e editado os livros de poesias "Canto Mudo", "Teresópolis Meu Canto de Hoje" e "Canto Terceiro e Patética", entre outros.
     Político contestador, Manoel Pereira ofereceu seu nome ao eleitor por várias vezes, chegando a lançar-se candidato a presidente da República, em 1984, quando lançou seu livro-manifesto "Também sou presidenciável", apontando para o capítulo IV da Constituição Federal, que previa direitos e garantias individuais numa época onde o país ainda estava sob o jugo da Ditadura Militar. Quatro anos depois, em 1988, lançaria sua candidatura a prefeito de Teresópolis, fazendo 5.086 votos numa eleição que teve oito candidatos. Manoel Pereira chegou em quarto lugar, atrás de Pedro Jahara (10.318 votos) e Luiz Barbosa (15.297), eleição ganha por Tricano, com 20.492 votos. Em 1990, seria candidato a deputado estadual, fazendo 2.441 votos e, mais uma vez candidato a prefeito, em 2004, fez 741 votos. Na eleição passada, de 2008, para ajudar o seu partido, foi candidato a vereador, não conseguindo eleger-se ou, ao menos, ser bem votado.
     Trabalhava desde 2009 na Ouvidoria Municipal, sendo um de seus organizadores, e onde mostrou seu talento na lida com os problemas alheios, seu grande sonho. Era Manoel Pereira quem fazia o primeiro atendimento, e encaminhava as reclamações aos setores reclamados, sendo fiel despachante do reclamante na busca da solução do problema.

SÍNDROME DE SÃO BERNARDO
O trabalhador produz
o país cresce (em termos)
O trabalhador pede
o patrão nega
o país perde e pára (em termos)
O trabalhador tenta dialogar
o Ministro diz não, em defesa do patrão
O trabalhador implora
a "justiça" nega
O trabalhador pára
O governo prende
o país sente (em termos)
A igreja apóia, cede sua casa
O trabalhador se organiza
do abrigo exige
O GOVERNO INTRANSIGE
As multinacionais perdem
(nos lucros)
(nos desvios)
(nos mandos e desmandos)
O trabalhador sai em campo
pisa forte e luta
O General se irrita (o outro)
do palácio grita
O trabalhador é duro, é pedra
o aparato o brita
O país assiste inerme
o corruptor corrompe
A corda rompe
a ameaça existe
O trabalhador desiste
As multinacionais lucram
o General sorri
O país perde
o povo dorme
a síndrome se recolhe.