segunda-feira, 21 de abril de 2014

   A cidade nas mãos dos vereadores

No Theresopolitano, discussão sobre a necessidade de "separar os poderes", criando-se a Prefeitura
   Folheando o jornal Theresopolitano, de 1912, percebemos os ânimos exaltados de uma discussão política envolvendo partidários e contrários à criação da prefeitura de Teresópolis. Novidade daqueles anos, a prefeitura já tinha sido experimentada com sucesso em diversos outros municípios, onde prefeitos e não mais presidentes de Câmara tomavam conta do Executivo Municipal.

   Emancipada em 1891, quando foi administrada durante um ano por um “intendente”, o Barão de Mesquita, e desde 1892, sob os cuidados da Câmara Municipal, a gestão da cidade naquela época imitava o modelo português de governo que priorizava o poder nas mãos de um escolhido entre os vereadores - às vezes também escolhidos ou eleitos, sendo o poder Legislativo composto de sete pessoas.

   Bons exemplos para o proveitoso embate foram os municípios de Campos e Niterói, que passaram a ter prefeitos a partir de 1904. Paulo Alves, por exemplo, no seu mandato de apenas um ano, idealizou a imponente avenida da Praia de Icaraí, “fundo de quintal das apalacetadas chácaras da Rua Moreira César”, indo até São Francisco, e daí alcançando as Praias Oceânicas, pelo prolongamento da Estrada da Cachoeira. Essa avenida passou a se destinar aos hotéis, cassinos, praças de esportes e outros centros de lazer e diversão na Orla de Icaraí e São Francisco, modernizando Niterói, que voltava naquele ano ao status de capital do Estado, desde 1894 reservado à Petrópolis.

   Outras obras importantes foram sendo feitas na Capital e, em 1913, quando governava Niterói, Feliciano Sodré [nome de rua em Teresópolis], era criada pelo governador Oliveira Botelho, então, agradando uns e desagradando outros, a nossa prefeitura, sendo nomeado para o cargo de prefeito o engenheiro Benjamin do Monte, que administrou a cidade por pouco mais de um ano.

   De uns tempos pra cá, se não voltou ainda pela imprensa a discussão do início do século passado, Teresópolis vive o mesmo quadro de cem anos atrás, com os vereadores, ao mesmo tempo, e de certa forma, à frente dos poderes Legislativo e Executivo. Provocada por uma série de fatores que contrariam a lógica e a normalidade política, no entanto, a combinação dos dois poderes, antes tão antagônicos, começa a receber a crítica daqueles que percebem o risco da falta de fiscalização de um poder sobre o outro, remetendo-nos a uma reflexão sobre a importância do cargo de vereador, essa função que tão poucos entendem.
   No processo democrático, o ideal seria o eleitor saber o que faz um vereador e este ter noção do seu papel e da necessidade de uma providencial distância com o Executivo. Mas, prefeito e vereadores tendem muito a serem próximos e afetos, ou desleais e desafetos. E, se a inimizade entre eles é ruim, uma relação íntima entre Executivo e Legislativo prejudica muito o processo político, e compromete demais o modelo. Essa intimidade provoca, inclusive, a necessidade de voltarmos a discutir o papel dos dois entes. Executivo e Legislativo devem se completar, mas nunca misturarem-se, promiscuamente, como parece estar ocorrendo em Teresópolis.

   Cabe ao vereador fiscalizar o trabalho do prefeito e os gastos ligados ao orçamento anual, sendo suas principais funções a análise e aprovação das leis ligadas à prefeitura; a fiscalização dos vários órgãos da administração municipal, além de requerer prestação de contas por parte do prefeito; votar projetos de lei; receber os eleitores e ouvir sugestões, críticas, reivindicações; promover a ligação entre eleitores da região que representa e o governo; elaborar e redigir projetos e, entre tantas outras obrigações, criar leis com intuito de formar uma sociedade mais justa.

   Será que o bom candidato a vereador foi eleito? E esse melhor vereador para a cidade poderia ser o dono da vendinha, o entregador de pizza, ou advogado de porta de cadeia? Não é difícil responder. O bom vereador pode ser qualquer um, independente da profissão, credo ou opção sexual. Mas, esse servidor tem que ser alguém que conhece a realidade do município, alguém íntimo dos seus problemas. E essas qualidades, sabe-se que pelo menos a metade dos atuais vereadores as tem, faltando neles apenas a sensibilidade para o sentimento alheio.

   Na verdade, nem haveria necessidade de termos novas eleições para que a cidade tenha bons vereadores. Os nossos “melhores candidatos” já foram eleitos e, escolhidos a dedo pelos eleitores, tem a obrigação moral junto a estes, e à sociedade que representa, de serem fiéis às prerrogativas dos seus mandatos.

   Não se trata de caçar o prefeito, ou reprovar suas contas. Nem taxar o chefe do Executivo disso ou daquilo. Isso, na busca de desestabilizar o governo, os desafetos de Arlei vem fazendo bem. Os vereadores precisam mesmo é rever o papel que estão interpretando. Se forem bons críticos, perceberão que até agora vem sendo péssimos atores. E, se ousarem ser sinceros, perceberão que até quando atuam pelo interesse comum vem se mostrando como canastrões.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

   Governo do Estado vai iniciar o restauro do Quiosque das Lendas

Tecnicos do Inepac e a secretária de Cultura, Adriana Rattes, com o deputado André Corrêa, o sub secretário
Arnaldo Almeida,  o sub secretário-executivo Luiz Fernando Zugliani, e o ex-secretário Wanderley Peres
   Encontro no Rio de Janeiro essa semana definiu visita de técnicos do Inepac ao Mirante da Granja Guarani. Será no dia 30 de abril, quando engenheiros do governo do Estado e arquitetos do Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural vão estudar o prédio tombado para o restauro.  Acompanhado do ex-secretário de Cultura, Wanderley Peres, o sub secretário Arnaldo Almeida ouviu da secretária Ana Rattes a promessa do pronto início da obra, que é devida em função de uma sentença judicial de março de 2011.
   "Vamos iniciar os trabalhos recompondo o telhado do Mirante, estancando a degradação e, ao mesmo tempo, vamos promover os estudos necessários e as providências para o restauro, que é um processo mais complicado", disse Ana Rattes, que prometeu para breve o início das obras.
   Líder do governo na Assembléia Legislativa, onde ocorreu o encontro, André Corrêa garantiu que vai empenhar-se para que a determinação judicial seja cumprida com urgência e prometeu construir, com recursos do Estado, o anexo projetado pela Secretaria de Cultura, construção que visa garantir a ocupação cultural do importante espaço.
   "Concordo com o Wanderley quanto à necessidade de construção de um prédio anexo ao mirante para gerir o espaço e marcar a presença da Cultura no local. A proposta da Cultura é muito interessante porque, além de promover a ocupação, garantindo a integridade do bem, vai promover uma relação amistosa da Prefeitura com a comunidade, e virá dessa relação o compromisso com a manutenção do espaço", disse.

   Cópia da planta do anexo cultural está exposta em totem no terreno do Mirante e dá esperanças à comunidade da Granja Guarani de ter em seu bairro o primeiro polo de Cultura de Teresópolis. O prédio tem cerca de 80m2, com salão para cursos e reuniões, sala administrativa, e banheiros. "Além da restauração do mirante, vamos ganhar um espaço cultural em nosso bairro. Será um grande presente para a cidade, e também para a nossa comunidade", comemorou o presidente da Associação de Moradores da Granja Guarani, Armindo Coelho.
   Participaram da reunião, o diretor geral do Inepac, Paulo Vidal, o deputado e líder do Governo na Alerj, André Corrêa e a secretária de Cultura Ana Rattes, além dos arquitetos que também virão a Teresópolis para o reconhecimento da área que receberá a obra do governo do Estado.

   Sobre o mirante
   Com estilo neocolonial e arquitetura de influências coloniais mexicanas e mouriscas, o Quiosque das Lendas foi construído na década de 20 do século passado e é composto por dois corpos interligados por um avarandado coberto, encimando uma grande elevação que forma uma espécie de platô. A construção, obra do engenheiro teresopolitano Carlos Nioac de Souza, é emoldurada por colunas toscanas de capitel simples e arcos de alvenaria revestidos com azulejos portugueses.
   Produzidos em Lisboa no ano de 1929, os azulejos que revestem o mirante foram pintados pelo renomado artista Jorge Colaço (1864-1942) e retratam quatro lendas indígenas: “O Dilúvio”, “O Anhangá e o Caçador”, “A moça que saiu para procurar marido” e “Como apareceu a noite”, derivando-se daí o nome Quiosque das Lendas.

   Eleitos novos membros do Conselho Municipal de Políticas Culturais


Votação teve até fila e a organização do pleito foi elogiada pelos eleitores
   Nesta quarta-feira, 16, a classe artística de Teresópolis se movimentou para a eleição da nova coordenação do Forum de Cultura e a escolha dos novos conselheiros que comporão o Conselho Municipal de Políticas Culturais.

   O palco para o democrático pleito foi a Casa da Memória Arthur Dalmasso, e a votação realizada das 18h30min às 20h30, com a participação de toda a cadeia cultural do município, formalmente inscrita no Fórum de Cultura.
Para a direção do Fórum, a chapa Renovação Cultural, liderada por Celso Guimarães (presidente) e Júlio César Gomes de Campos (vice-presidente), do Grupo de Trabalho de Música obteve 46 votos; e a chapa Mais Cultura, liderada por Jussara Trindade e Victor Hugo de Almeida, do Grupo de Trabalho de Artes Cênicas venceu o pleito com 52 votos, elegendo-se Secretário Geral, Ivo Bernardo; Vice-Secretário Geral, Júlio Cesar Chinemam; Secretário Relator, Osires Wilhel; Secretário de RP e Comunicação, Guilherme Reis e, suplentes, William Teixeira e Yuri Gomes Cortês.


   Para compor o Conselho de Cultura concorreram 19 candidatos, sendo eleitos Octávio Albuquerque, Música, 52 votos; Hebe Otto, Dança, 45; Wanderley Peres, Literatura, 44; Thomaz Garcia, Cultura Urbana, 44 e Liv Milla, Artes Cênicas, 36 votos.

   Eleitos suplentes, Nicole Algranti, do Áudio Visual, com 13 votos; Ednar Corradini, 32; Helio Rattis, 31; Vidocq Casas, 30 e Simone Chacon, com 20 votos. Foram também votados: Franklin Cardoso, 17; José Luiz da Silva, 15; Fábio Souza, 14; Faier Farias, 13; Márcio Henrique, 13; Klebs Cavalcanti, 12; Adalci Serafim, 10; e Inácio Loyola, 6 votos.

   Vale lembrar que o Conselho de Cultura é composto por 12 membros (e os suplentes), sendo 50% representantes do poder público e os outros 50% representantes da sociedade civil organizada. A presidência do conselho é ocupada pelo Secretário de Cultura e a vice-presidência é ocupada pelo presidente do Fórum de Cultura.

   Ao final do votação, o sub-secretário de Cultura, Arnaldo Almeida, agradeceu os organizadores da eleição, e parabenizou os novos Conselheiros e os novos Coordenadores do Fórum. "Teremos muito trabalho pela frente na construção de políticas públicas de Cultura que possibilitem a todos os nossos artistas exercerem a sua arte plenamente e serem valorizados e respeitados como merecem", disse, lembrando que a primeira reunião, de apresentação dos conselheiros, ocorre no próximo dia 30, quando já serão discutidos assuntos de interesse da Cultura.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

ATL comemora 53 anos com grande festa e homenagem a Sami Mattar


Auditório da Casa de Cultura lotado para sessão solene e de entrega do Troféu Tiradentes

            A Casa de Cultura Adolpho Bloch, em Araras, ficou lotada na noite do último sábado, 12 de abril, para a festa de comemoração dos 53 anos da Academia Teresopolitana de Letras (ATL). O evento, que teve apoio da Prefeitura, através da Secretaria de Cultura, reuniu acadêmicos e convidados, em uma noite especial, com direito a coquetel, lançamento de livros, poesias e esquete de teatro, além de uma justa homenagem ao artista plástico Sami Mattar, vencedor do Prêmio Tiradentes 2014.
            Anfitrião da noite, o presidente da ATL, Delmo Ferreira, falou sobre a comemoração. “Estamos vivendo um momento de muita alegria. É um prazer ver esta casa cheia, com tantos amigos prestigiando nosso aniversário, nossos 53 anos de história. E esta alegria se torna ainda maior por estarmos resgatando uma dívida antiga com o artista plástico Sami Mattar, consagrado em todo o mundo. Não poderíamos estar mais satisfeitos”, destacou.
            A noite de comemoração contou com intervenções de diversos acadêmicos. Clara Waismann declamou poesia criada em função dos 53 anos da ATL; Vidocq Casas recitou poesia sobre a ditadura; e Paulo Paranhos apresentou curiosidades sobre a vida de Tiradentes, patrono da academia.
            O momento mais emocionante da festa foi a entrega do Troféu Tiradentes, prêmio criado pela academia e entregue anualmente a uma personalidade de destaque. Este ano, o vencedor da premiação foi o renomado artista plástico Sami Mattar, que ficou emocionado. “Fico muito sensibilizado e honrado em receber este troféu. Agradeço com o coração, pois me faltam palavras para expressar verdadeiramente o que sinto”, disse o pintor, que, para a noite de homenagem, teve 32 de suas telas expostas na área de circulação da Casa de Cultura Adolpho Bloch.
            A noite de gala teve direito ainda a bolo de aniversário e parabéns. Além disso, outros momentos marcaram o evento, como a poesia recitada pela atriz Edinar Corradini. Na área de circulação da casa, as atenções ficaram por conta do lançamento dos livros de Mariana Guarilha e do professor George Campista Cabral e a exposição de livros de outros membros da ATL. Finalmente, encerrando o evento, o esquete de teatro encenado pela acadêmica e cineasta Natashe Medina e os atores Rita Ávila e Rafael Soares.

domingo, 13 de abril de 2014

Jurandy do Sax e seu passeio de canoa, atração que leva turistas à Lagoa do Jacaré

LAGOA DO JACARÉ


   As boas idéias precisam ser copiadas e aproveitadas


   Dois anos atrás, fui a Natal. Não estava a trabalho, muito pelo contrário, mas aproveitei para observar algumas curiosidades da região e, certamente, a que mais me provocou, e que vale compartilhar a experiência com quem venha a ler o texto, foi um passeio turístico que fiz ao estado vizinho do Rio Grande do Norte, a Paraíba.


   Não que eu queira fazer aqui uma digressão sobre as minhas "impressões de viagem", longe disso, mas valeu todo o passeio a João Pessoa. A cidade fica a 180km de Natal, e o passeio é feito em vans ou microônibus com o serviço de guias que informam sobre as curiosidades da região. É uma viagem cansativa, e que não vai agradar tanto aos que não dão tanta importância à história do Brasil. Afinal, quem estaria ávido em saber sobre o "herói morto" João Pessoa ou o amargo poeta Augusto dos Anjos, o poeta de um livro só? E o que tem de diferente nas feirinhas e na gastronomia da Paraíba que justifique o sacrifício de sair do conforto do hotel às 6h30m da manhã?


   Fechando o passeio, por volta das 15h, chega-se à lagoa do Jacaré, propagada desde as primeiras horas da manhã como a grande atração do dia. É um lugarzinho comum, num canto da cidade, destacando-se as barracas de artesanato e os restaurantes avançando em deques sobre o rio, um lugarejo onde há dez anos havia apenas uma grande área baldia, hoje uma vila, chamada "Lagoa do Jacaré". E, nesse "lago", todo dia à tarde, o músico Jurandy do Sax interpreta o Bolero de Ravel (Boléro, de Maurice Ravel), culminando com o por do sol, que esconde-se no cenário da vegetação distante, ao longe da outra margem do rio.

   É o maior engodo que existe. Não há Jacaré e nem lagoa e a atração nem fica em João Pessoa. Está numa cidadezinha chamada Cabedelo, na periferia da capital. Mas, nem por isso, o turista fica frustrado. Basta observar que o termo "pegar um jacaré" vem daí. É que, nos anos 1950, o hidro-avião cargueiro que pousava no rio tinha um jacaré enorme pintado em sua barriga e quando a aeronave caía na água provocava ondas nas margens, permitindo aos banhistas "pegar a onda do jacaré", daí a expressão que correu o Brasil.
O local é pura cultura, repetindo bem a forma americana de produzir atrativos turísticos. Os Estados Unidos, com uma história pouco interessante, é o segundo país mais visitado do mundo, onte até o local em que tombaram as torres gêmeas se transformou em ponto de atração. Paraíba e Natal, aliás, sofrem grande influência da cultura estadunidense. Em função da guerra, nos anos 1940, os americanos praticamente recolonizaram a região da ponta do Seixas, ponto cardeal leste do país, a menor distância por mar entre os continentes americanos e africano.


   Para o turista comum, que desde as 15h começa a lotar as margens do rio, chamado "Paraíba", é um momento de lazer e contemplação, oportunidade também para se degustar frutos do mar, bater um papo e fazer imagens do ocaso do sol. Mas, para o visitante de um olhar mais aguçado, e que mora numa cidade com vistas muito mais deslumbrantes, e pontos turísticos com potencial ainda maior, a observação toma outro rumo. É quando percebemos o quanto ligamos tão pouco para as nossas belezas naturais. Imagina alguém tocando violino ao acompanhamento do som natural da Cascata Imbuí com os artesãos vendendo seus produtos nas margens de um dos pontos mais bonitos do rio onde Ceci e Peri se banharam, lugar que deslumbrou também grandes poetas brasileiros, entre eles Manuel Bandeira, Adelmar Tavares e Lúcio de Mendonça?


   São tantas coisas a serem sonhadas, e tantas outras por serem realizadas...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Multa milionária contra a Sudamtex deve ser revertida na criação de Parque


Reunião do Nossa Teresópolis onde foi apresentado o Parque Fluvial
   O deputado Carlos Minc solicitou ao Executivo Estadual autorização à Secretaria do Ambiente aval ao Termo de Ajustamento de Conduta do Ministério Público para a criação do Parque Fluvial do Paquequer, em Teresópolis. 

   Atendido em sua indicação, o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado do Ambiente, fica  autorizado, com o aval da Alerj, a aceitar a proposta do Termo de Ajustamento de Conduta elaborado pela Primeira Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Teresópolis segundo a qual a multa por danos ambientais da extinta fábrica de tecidos Sudamtex, devida ao Fundo Estadual de Conservação Ambiental – FECAM, poderá ser revertida em doação de parte do terreno em que funcionava a empresa, dos quais 12.500 m² de área plantada poderão constituir o Parque Fluvial do Paquequer.

   Proposta em fevereiro deste ano, a conversão dos recursos da multa da Sudamtex em doação de terreno para o Parque Fluvial, de certa forma atende a um sonho proposto em 2009, quando a sociedade se mobilizou pela ocupação do terreno da antiga fábrica Sudamtex. 

   O pedido justifica-se, afinal o trecho do Rio Paquequer, na área da Sudamtex, é o único que mantém suas margens desimpedidas, tornando-se um local ideal para a criação de um magnífico parque, com ciclovias e áreas para a prática de esportes e atividades de cultura e lazer para todas as idades.

   A proposta do TAC foi feita pela promotora Pública Anaíza Malhardes e a transformação da multa em doação de terreno para o parque fluvial ainda depende de aprovação do governador.

sábado, 5 de abril de 2014

   Heleno Nunes, o patrono da Confederação Brasileira de Futebol 

A sede da CBF na Granja Comary, assim que foi inaugurada
   Existe uma lei municipal que proíbe a troca de nomes de ruas. E embora a sanha política de alguns vereadores permita que se roube parte da homenagem concedida, a lei vem se cumprindo. Gonçalo de Castro, coitado, perdeu uma perna e sua rua divide homenagem com o Monsenhor Nivaldo. Aleijado também ficou o Major Carvalho, com um braço da sua rua homenageando agora o pastor Joaquim do Couto. Até o irmão do Presidente Bernardes, o prefeito Olegário, não está inteiro mais. Sua rua, que ligava a Reta ao bairro dos Pinheiros, agora começa na avenida Delfim Moreira. E roubaram-lhe a homenagem justamente para agradar familiares de quem mais era contra essas desomenagens: o radialista Délcio Monteiro. Bastou que ele morresse para colocarem em seu túmulo fruto de roubo.

   Nada contra os três e sim a forma como foram homenageados. O monsenhor e o pastor merecem louvores e o Olegário fez por ser lembrado. Mas, quem não se lembra do vereador que deu o nome do desconhecido pai para uma rua de Agriões? Aliás, como se homenageia nulidades nesta cidade. Rui Barbosa e Délcio Monteiro devem estar se revirando no caixão...

   Agora, a mesma Câmara que rouba homenagens, esquartejando personalidades da nossa história, saiu em defesa do nosso Heleno Nunes. A gritaria ganhou também as redes sociais e o Facebook quer o busto do Almirante de volta à Granja Comary. E exige ainda que a sede da concentração da Seleção Brasileira de Futebol volte a se chamar “Centro de Treinamento Heleno Nunes”.

   Não sou de concordar com vereadores, e não será com essa Câmara que gostaria de fazer coro. Mas, os vereadores tem razão de estarem descontentes. Onde já se viu desomenagear alguém? E logo o Heleno Nunes. Será que o pessoal da CBF não sabe da importância do Almirante? Será que eles desconhecem a história do futebol e do esporte brasileiro? E a injustiça com o homenageado acontece justamente no mês de 30.o aniversário de sua morte, e às vésperas do seu centenário de nascimento. Quanta insensibilidade...

   A falta de respeito da Confederação Brasileira de Futebol com a família do presidente Heleno ultrapassa os limites do esporte. O Almirante era grande amigo da nossa cidade e a concentração da Seleção Brasileira é bem tombado pelo município. Sendo assim, a mudança deveria ser discutida pelo Conselho de Cultura, e pela Secretaria de Cultura, que jamais permitiriam o crime contra a memória do exemplar cidadão teresopolitano.

   Heleno Nunes é considerado o herói da Estrada Direta. Ele usou seu prestígio pessoal para que a obra fosse feita e, não fosse ele, a cidade amargaria muitos outros anos para ver sua ligação direta com o Rio de Janeiro, coisa que Petrópolis e Nova Friburgo já tinham, e onde o progresso era mais percebido.

   Segundo sua filha Regina, Heleno Nunes era um homem de visão e dentro dessa visão ele não se satisfazia em atuar em apenas uma área. “Ele era Oficial da Marinha e dentro dessa atribuição começou a desenvolver conjuntamente uma posição política e sem abrir mão das demais ações, desenvolveu aptidão para a organização esportiva, tudo dentro da marinha e fazendo tudo ao mesmo tempo. Os primeiros times de futebol com marinheiros foram organizados por ele, inclusive participando de campeonatos e tudo mais. Ainda na Guerra, onde permaneceu em navios, lá mesmo organizava os marinheiros para a prática esportiva e organizava pequenas competições. Sem falar na clara veia política que sempre esteve presente. Tudo isso com muita dedicação em cada uma das áreas que atuava. Mas foi como secretário do Ministro de Viação e Obras Públicas que ele conseguiu uma de suas maiores conquistas, o compromisso da estrada direta para Teresópolis”.

   Em entrevista recente, a esposa Maria Luiza Nunes lembrou que o grande homem, com quem casou-se em 1945, nunca se satisfez em vir para Teresópolis apenas como veranista, e nas suas viagens para cá, desde muito jovem, pensava enquanto o trem subia a serra, nas dificuldades que essa viagem representava, e dizia que seria uma das suas lutas se tivesse condições de mudar essa realidade. “O tempo passou. E, como secretário do ministro de Transportes ele trabalhou por esse compromisso que fez com ele mesmo, transformando o sonho na sua questão maior. Hoje, com essa ampliação da estrada direta, que recebeu mais uma pista e está sendo remodelada, vejo uma confluência geral dos maiores projetos dele para o município de Teresópolis. A nova concentração da seleção brasileira, outro grande sonho dele, sendo tão importante para a  cidade e o país. Foi muito bom o Heleno não ter desistido dos seus sonhos”.

   Queremos o nome de Heleno Nunes de novo o prédio da Concentração da Seleção Brasileira de Futebol, na Granja Comary. A causa é justa, e estamos nela.


   HELENO DE BARROS NUNES, militar, esportista e político, nascido em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, em 3 de julho de 1915. Filho do almirante Adalberto Nunes, o organizador da Seção de Esportes da Marinha, e de Maria Cândida de Barros Nunes, do lar. Em 1928, ingressou no Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde realizou o Ensino Fundamental e Médio. Desde esta época já praticava esportes. Em 1930, foi jogador de basquete do Vila Isabel Futebol Clube. Em 1932, ingressou na Escola Naval, onde foi atleta nas modalidades de natação, water polo e basquete. Neste período, competiu por diversos clubes da cidade do Rio de Janeiro, entre eles, o Tijuca Tênis Clube, natação e Fluminense Futebol Clube, basquete. Em 1938, formou-se Oficial da Marinha de Guerra do Brasil e logo em seguida, assumiu a coordenação esportiva da Marinha. Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, foi classificado na Força Naval do Nordeste, e serviu no navio oficina “Belmonte”. Era oficial chefe de reparos e o navio patrulhava as costas pernambucanas. Com o nome de Portela do Jaboatão, a equipe de futebol do navio, foi campeã da Divisão de Pernambuco. Em 1944, foi imediato da Corveta “Jaceguai”, já com um total de 54 mil milhas de comboio naval, desmobilizado em 1945 das operações de guerra. Pelos serviços prestados durante a Segunda Guerra Mundial, tomou-se merecedor da Medalha Naval do Mérito de Guerra de Serviços Relevantes e da Medalha Naval de Serviços de Guerra, com duas estrelas.

   Em 1945, no dia 8 de setembro, Heleno casou-se com Maria Luiza Vasquez Puentes. Em 1946, serviu na Força de Contra Torpedeiros e fez o Curso Superior de Guerra Naval. Foi ainda chefe de gabinete do Diretor de Engenharia Naval e Secretário de Desenvolvimento Industrial.

   Era Presidente da Confederação Nacional dos Pescadores, quando ingressou na política, por intermédio do Deputado Amaral Peixoto, sendo eleito Deputado Estadual, em 1954, pelo PSD. Pouco mais tarde, foi convidado para a função de Chefe de Gabinete do então Ministro da Viação, Almirante Lúcio Meira, seu amigo particular. Nesta etapa de sua vida, teve início a grande “batalha” pelas obras de construção da estrada Rio-Teresópolis, que já haviam começado, porém encontravam-se praticamente paralisadas. Lutando muito junto ao DNER, para aceleramento destas obras, tudo começou a correr satisfatoriamente, até a inauguração da estrada, em 1º de agosto de 1959, pelo então Presidente Juscelino Kubitschek. Ainda como Deputado, foi Secretário de Energia Elétrica do antigo Estado do Rio de Janeiro. Criador e primeiro presidente das Centrais Elétricas Fluminense (CELF). Trabalhou pela construção da linha de transmissão de torres metálicas para trazer energia elétrica em melhores condições técnicas a Teresópolis, onde reformou a rede elétrica da cidade, e instalou a subestação Fonte Santa; estendendo-se, também, a eletrificação a áreas rurais do Estado.    Como Secretário de Energia realizou ainda obras de iluminação à Vapor de Mercúrio na cidade de Teresópolis e em Niterói, na Praia de Icaraí e na Alameda São Boa Ventura.
Afastou-se da política em 1966 e, em 1967, exerceu o cargo de Diretor de Futebol da extinta Confederação Brasileira de Desportos (CBD). Exerceu ainda, os cargos de Presidente da Federação Carioca de Boxe, diretor de futebol do Bonsucesso F.C. em 1969, e Diretor de Futebol do Vasco da Gama em 1970, depois de ter conquistado o Campeonato Carioca. Em 1973, foi agraciado com a Medalha do Mérito de Tamandaré. Em 10 de Janeiro de 1975, Heleno de Barros Nunes foi eleito, por unanimidade de votantes, ao cargo de Presidente da CBD, hoje CBF. Em dois mandatos sucessivos na presidência da CBD, destacou-se por importantes realizações, entre as quais a chamada interiorização do futebol, que chegou a reunir, aproximadamente, 80 clubes, de todas as capitais e de muitas cidades do interior dos estados, cuja motivação e entusiasmo nacional que provocou, levou o clube de futebol Guarany, de Campinas, SP, a sagrar-se campeão brasileiro, em 1978.


   Legou, ainda, em sua administração, o Centro de Treinamento, em Teresópolis, RJ, através da compra, pela entidade, de ampla e nobre área situada na Granja Comary e do planejamento da obra que havia idealizado, que, construída em gestão posterior, foi denominada, com justiça, CENTRO DE TREINAMENTO HELENO NUNES (CETREN). Nesta mesma época, como eminente líder político que era, foi convidado pelo Governo Federal para presidir o Diretório Fluminense da ARENA. Heleno Nunes dedicou-se 35 anos à carreira militar e por 15 anos dedicou-se a política partidária, quando, no exercício de diversos cargos públicos, realizou inúmeras obras, como pavimentação de estradas, avenidas, melhoramentos e dragagem de rios, evitando enchentes e possibilitando aos agricultores melhores terrenos para o cultivo. Colaborou ainda, na construção de hospitais, creches, escolas, igrejas e particularmente, campos de futebol. Mais tarde, liberado dos cargos políticos, Heleno Nunes exerceu funções na iniciativa privada, como membro do Conselho Consultivo das Casas Sendas Com. e Ind. S.A. e membro da diretoria da Marka S.A. Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Faleceu, em 3 de março de 1984, em Teresópolis, de um edema pulmonar, quando exercia o cargo de Diretor da Companhia de Eletricidade de Nova Friburgo. Deixou sua esposa, Maria Luiza Puentes Nunes, duas filhas, Luiza Helena Nunes Ermel, casada com o Capitão de Fragata José Fernando Ermel e Regina Helena Nunes da Rocha, casada com o Coronel do Exército Paulo Renato Ferreira da Rocha, cinco netos e um número incalculável de amigos, das diversas camadas sociais, especialmente, pessoas humildes, particularmente, da cidade de Teresópolis, as quais acompanhou e amparou, durante toda sua vida.